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Chuva de questões


Dá pra ser e não ser?


"O melhor meio de se aproximar da filosofia é fazer perguntas filosóficas."



Perguntar é tão espontâneo quanto respirar. Só nos descobrimos fazendo quando prestamos atenção. E do mesmo modo que temos diferentes fôlegos para as diversas atividades do dia-a-dia, também nos encontramos entre as mais distintas questões conforme a variedade de situações vividas.

Certas questões proclamam-se importantes e significativas, enquanto outras parecem realmente não ter consequências.


Pequenas questões: aquelas que podem ser facilmente respondidas com base em nossas experiências.

Grandes questões: aquelas cujas respostas exigem maneiras não usuais de pensar, por sua escala ou abrangência;


A diferença entre ambas não está no seu grau de importância, mas nas suas exigências quanto ao tempo, o dinheiro e esforço para serem respondidas. Quanto maior a questão, mais intensa é a busca de informação relevante exigida pela resposta.

Para todos os objetivos e propósitos, existem apenas dois tipos de questão: as técnicas e do cotidiano. A maioria das questões do cotidiano são leigas, e nós mesmos gostamos de respondê-la. As questões técnicas requerem a busca sistemática de informação e são os especialistas os aptos para encontrar suas respostas.


Questões do cotidiano: aquelas que emergem da vida comum, corrente, cujas respostas podem se basear no senso comum.

Questões técnicas: aquelas cujas respostas requerem a busca sistemática de informação.


As questões cotidianas são significativas. Certamente são importantes para nós. E algumas vezes, essas questões assumem uma escala e uma significância tal que parecem diminuir completamente as demais.


Questões fundamentais da vida cotidiana: essas são questões claramente não técnicas. Nenhum acúmulo de dados pode respondê-las.


As questões que estão fora do âmbito dos especialistas podem ser chamadas de filosóficas. Tais questões não se preocupam com a aquisição de informação, e sim com algo mais – algo que podemos chamar de “sabedoria”.


Questões filosóficas: são algumas das mais fundamentais da vida cotidiana


São uma variedade especial de questões do cotidiano. Não são técnicas e nem podem ser respondidas como tal – isto é, pelos auto-intitulados especialistas. Surgem dos problemas da existência cotidiana, podendo parecer tão estranhas e desconcertantes que quase desafiam explicações.

E por serem questões do cotidiano, todos, em algum momento da sua vida, filosofam.
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Perguntar é viver

Vô!? Num vô!?


A história de
todas as grandes civilizações galácticas tende a atravessar três fases distintas e identificáveis ― as da sobrevivência, da interrogação e da sofisticação, também conhecidas como as fases do como, do por que e do onde.
Por exemplo, a primeira fase é caracterizada pela pergunta: Como vamos poder comer?
A segunda, pela pergunta: Por que comemos?
E a terceira, pela pergunta: Aonde vamos almoçar?

A bem da verdade é que não percebem
os, mas a lista de perguntas ocupando nossos pensamentos é infindável.

Que horas são? Levo o guarda-chuva? Será mesmo que Fulana me ama? Atendo o telefone ou aperto o ignorar? Entro online ou invisível?

Nossas questões cotidianas são normalmente tão comuns que muitas vezes passam despercebidas. Mas se pararmos um pouco, talvez nos espantemos como somos questionadores.

O questionamento faz parte da nossa necessidade de saber mais e explorar mais além, para que vivamos e o façamos da melhor maneira. E é o sentimento da curiosidade que move a maior parte dos nossos questionamentos.

Cu
riosidade: necessidade humana de saber mais sobre nós mesmos e sobre o que nos rodeia.

Questões: ideias que guiam nossa curiosidade em direção as respostas.


Por isso, o questionamento é parte fundamental da vida humana. Fundamental porque todos temos a necessidade de saber quem somos e por que vivemos.

Ok, mas e a filosofia?


A filosofia, num sentindo muito simples, diz respeito ao exercício da curiosidade e ao de fazer perguntas.



Nesse sentido, todos nós temos um "que" de filósofo...

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Pra começar...

O que é a filosofia?



O filósofo Martin Heidgger já chamou a atenção: “com essa questão tocamos um tema muito vasto”. Para concordarmos com ele não precisamos percorrer a extensa tradição do pensamento filosófico para saber que sua afirmação é válida. Basta perguntar para quem está próximo de nós no dia-a-dia para recebermos as mais variadas respostas. Algumas, mais ou menos assim:





  • “A filosofia é a atitude de vida de cada um”, isto é, o conjunto de ideias, de valores e práticas pelo qual um indivíduo, um grupo ou uma sociedade compreende o mundo e a si mesmo.
  • “A filosofia é um conhecimento teórico e abstrato”, que geralmente interessa pouco ou nada a maior parte das pessoas, pois os problemas cotidianos exigem respostas práticas e concretas.
  • “A filosofia é um conhecimento que não se pode provar”, e por isso é uma atividade excêntrica, ou uma “viagem” sem destino e sem sentido.
  • “A filosofia é sabedoria de vida”, aquele conhecimento interior adquirido a partir da contemplação do mundo e das pessoas, que visa conduzir a uma vida justa, sábia e feliz, mediante o domínio de nossos impulsos, desejos e paixões.

Ainda que diversas, tais ideias apresentam pontos em comum – conhecimento, atitude, cotidiano, reflexão, pessoas, mundo, vida, sabedoria - e todos são pontos de questionamento filosófico. Assim, podemos dizer que vivemos pele a pele com a filosofia, mesmo sem perceber. Porém, essas noções são apenas o começo de um extenso caminho iniciado há mais de 2.500 anos; uma pequena parte da vastidão de nossa pergunta.


O que é a filosofia?
A busca pela sua resposta já nos faz filosofar. E aqui ela nos deixa a primeira lição: "É mais fácil fazer perguntas filosóficas do que respondê-las..."

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